domingo, março 08, 2009

Fogo




"Há quem passe por um bosque e só veja lenha para a fogueira."
Tolstoi

Enquanto houver estrada para andar



Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar


Jorge Palma

domingo, fevereiro 01, 2009

I lost You



The Walkmen

Requiem for a love of mine



Morrer é apenas não ser visto.
Morrer é a curva da estrada.

Fernando Pessoa

domingo, janeiro 25, 2009

Isidora

Começou um ano.
Um novo ano e eu pergunto-me por que me tem faltado a inspiração... viagens e mais viagens,
trabalho e mais trabalho (até pensar que terei casado sem saber, deveria estar a dormir) e depois... tu.

Isidora


Tu, que fazes parte da minha vida e contigo partilhei mimos que sempre fiz questão que tivesses.
Tu, que não tiveste a vida que toda a gente tem.

Tu, que sempre viveste no teu Mundo. O Salazar nunca percebeu que quem não aprendia bem na escola, não era porque não queria, era porque não podia. Encostaram-te ao fundo da sala. Como se fosses incapaz.

E depois ficavas feliz quando escrevia o teu nome e, com a língua de fora tal qual os míudos, tentavas copiar as letras e sorrias quando eu te dizia que estava bem.

Tu, que nunca tiveste filhos, nunca casaste, nunca conheceste o amor da tua vida (seríamos nós? quem precisa de mais desilusões?), que sempre criaste o teu Mundo, quando te zangavas com as nuvens, quando falavas à janela, sózinha, sobre a vida que nunca tiveste, o filho que nunca tiveste... quem via de fora não entendia. Mas para mim não era preciso. Bastava eu entender-te. Bastava quem estava ao pé de ti, gostar de ti, amar-te assim, como és, diferente. Linda. Fotogénica. A minha modelo preferida. Aquela cujo olhar se transformava quando eu apontava a objectiva.

Tu, que sempre foste gulosa, (azeitonas, amêndoas) adoravas, e nós, dávamos-te palmadinhas nas mãos como se fosse pecado tanta ingestão para quem já não aguenta tanto hidrato de carbono, tantos lípidos... sem imaginarmos que se assim gostavas. porque não?

Até ao fim, com prazer, afinal, não somos eternos.


Afinal, não somos eternos.
E eu pensava que sim.

Pelo menos neste mundo.

Porquê?

Por que é que temos de nos relacionar assim, aprofundadamente como se não fôssemos capazes de viver sem certas pessoas, e depois... tudo acaba?

Como se a finitude fosse o preço a pagar pela felicidade partilhada.



Chego ao Hospital e entro em estado de choque:
-Mãe. onde está? (ecoa na minha mente)

A minha mãe, ultrapassa-me e reconhece o que os meus olhos não queriam reconhecer.

Estás a desistir.
Este Mundo já não é o teu.
Não consigo controlar-me...
(eu, que sempre fora uma Madalena, agora percebia o verdadeiro estímulo do saco lacrimal).

Agarro-me a ti.
Faço-te festas.

(e os teus olhos grandes cravam-se nos meus)
E não consigo deixar de mostrar-te que sei que estás a querer desistir.
Ou talvez partir, voluntariamente, porque sabes que já não pertences aqui.

(e o saco lacrimal rebenta)

Dou-te de comer contrariamente ao que as enfermeiras dizem
(que não queres comer),
refilas,
como sempre mostraste nesse teu feitio tão vincado
(és diferente, mas não és parva, a ti, ninguém te engana).
Refilas, mas eu insisto.
Ml a ml, aceitas.
E comes tudo.


Domingo voltamos.
Estou mais forte, mas sabes?
Não consigo aceitar que queres partir.
Dou-te comida.
Engasgas-te como se fosses morrer de asfixia.
Asfixiada de pânico, desisto.
Não quero ser eu a precipitar.

A assistente social liga-me ontem e diz para preparar-me.
A minha mãe hoje liga-me e diz para preparar-me.

Não consigo.

Não.

Agora não.



terça-feira, dezembro 16, 2008

quinta-feira, dezembro 04, 2008

quinta-feira, novembro 27, 2008

sexta-feira, novembro 21, 2008

Caos em nome da Prevenção

É o simulacro da Protecção Civil com focos de tragédia espalhados por Lisboa.
É mais uma greve da função pública.
Adicionado à chegada do presidente russo Medvedev.
Por que é que as (coisas boas)* têm de ser sempre difícieis?


* leia-se "chegar ao fim-de-semana".

Sopa Fria




Eu sentada no sofá.
A minha mãe, ao meu lado, praguejava vigorosamente num vernáculo muito pouco característico que me fez olhar para ela e perguntar-me se seria mesmo a minha mãe ou o diabo por ela.
Era a ministra da educação que falava na televisão.
Era a ministra que estava a ser atacada pelos perdigotos da minha mãe.
E eu ao lado.
Com saudades da minha mãe.
Isto de cortar o cordão umbilical e ser independente tem os seus "quês" de carência.
Já não há a sopinha quentinha pronta para ser deglutida quando se chega a casa.
Já não há os desabafos depurativos partilhados ao jantar.
Agora engulo a sopa a olhar para a TV e faço má cara porque mais uma vez errei nalgum ingrediente... Maldita veia que me falta: a da minha avó que faz sempre sopas tão saborosas.
É assim.
A sopa está fria.
Com o tempo chegarei lá.
Espero não ter de estragar muitas cenouras, batatas e cebolas porque a crise hoje não está para esses luxos.

quinta-feira, novembro 06, 2008

It's getting boring by the sea



Blood Red Shoes - It's getting boring by the sea


A felicidade é um problema individual.
Aqui, nenhum conselho é válido.
Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.

Freud

quarta-feira, novembro 05, 2008

Vitória

Hoje eu acredito em tudo.
Estou tão contente.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Ma che cazo di lunedi!



Estimado DEUS:
Perdoe-me por ser ateia, mas ouvi dizer que tem o poder de acrescentar dias de descanso no calendário.
Poderia acrescentar a 2ª feira?
Muito Obrigada.
Muitos crentes (e descrentes) irão agradecer.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Frágil

Há um linha tão ténue...
Consegues perceber porquê?
Tudo o que já senti, tudo o que já passei, tudo o que nunca soube... nem nunca saberei.
Pelo menos pelas tuas palavras.
Nunca saberei.
Há coisas que simplesmente não se partilham. Toda a gente tem os seus segredos.
Eu tenho os meus, que ninguém sabe.
Mas desistir, virar costas, render-se ao caminho mais fácil só porque aparecem barreiras?
Só porque... a vida não é fácil?
Só porque... eu não sou fácil?
E o que se acumulou, o que me marcou, o que passou e não consigo esquecer..?
O que faço com isso.
Embrulho e envio para o Japão?
Ou amarroto e deito para o lixo?
É solução?
Carregar num botão automático e no momento seguinte esquecer tudo, limpar tudo e avançar... assim? Sem qualquer resquício de mágoa, de ansiedade e dúvida?
Não percebes pois não.
Não percebes que um dia, quando olhares para trás e perceberes que tudo o que se adiou foi fruto da hesitação, vais finalmente entender-me... Vais conseguir discernir que Roma e Pavia não se fizeram num dia e ainda que sem bases sólidas é impossível sustentar o que tão pouco se construiu.
Principalmente quando não se têm projectos.
Nenhuma casa começa pelo telhado.
Sabes melhor do que eu.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Pragas

Há coisas que simplesmente abomino.
Hoje, apeteceu-me partilhá-las
(sem ordem de preferência, podem ser incluidas todas no mesmo pacote):



Hello Kity e demais acessórios como relógios, pijamas, cuecas!?!, lápis, ímans para o carro??? bahhhhhhhhhh Não percebo como há raparigas / mulheres que andem com isso. Penso logo que não cresceram e que ainda devem ter a cama cheia de peluches!




Bolos de côco.........
São sempre os que sobram nos congressos... por que será?



Centros Comerciais na generalidade, mas principalmente ao fim-de-semana.
Se for o Colombo ou Almada Fórum, chego mesmo a sentir-me com urticária.
A TVi e tudo o que diz respeito à TVi, como por exemplo, as novelas....

e o bolo..... o Jornal Nacional.... com a cereja em cima, como esta srª....


Os comentários infantis das pitas do Hi5, como o "xa xa, xi-curaxao, xabes q gosto mtxo de ti não xabes?" Não há pacienciaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.



Os locutores e a sua voz de anormais da Rádio Cidade, a falarem com os ouvintes como se fossem igualmente anormais.



Os cartazes out door em ponto gigante com as fotos dos vendedores imobiliários da Remax. Juro que não confio em nenhum deles nem em nenhuma delas.




O lançamento da música pirosa mais pirosa não há do nosso cantor André Sardet
com o seguinte refrão
Gosto de ti, daqui até à lua, Gosto de ti, da Lua até aqui....
É... um vice-versa.... o gostar, portanto. Se fosse para outra galáxia....

terça-feira, outubro 14, 2008

Dae-Su



A capa não atrai quem oferece uma certa resistência ao género de terror. Mas depois de um conselho amigo de um verdadeiro cinéfilo, que para mim será um dia, quem sabe, um realizador distinguido em Cannes, decidi ultrapassar a imagem pouco atractiva da capa e a barreira da rapariga do clube de DVD:

Eu: "Boa Noite. Tem o filme Old Boy?"
Ela, depois de fixar o olhar incrédulo na minha pessoa: "Quer mesmo ver esse filme?"
Eu, mais incrédula com a pergunta e já a pensar que meu amigo me tinha sugerido o género esquizofúnebre que tanto admira: "Quero, foi-me sugerido."
Ela, persistente:"Tem a certeza que quer ver esse filme? Não me parece que se enquadre no género de filmes que aluga."
Eu, ainda mais intrigada: "Mas porquê, é assim tão mau? É terror?"
Ela, rendida à minha insistência: "Não é que seja mau, mas tem cenas violentíssimas, principalmente a cena em que ele arranca os dentes... urhhhhh, horrível, horrível."
Eu: "Bem, eu fui ao MoteLX, por isso acho que já devo ter um gene resistente..."

Decidi levar.

Não me arrependi.
É muito bom.
Mesmo muito bom.
Com toques de Kar-Way, menos romântico e mais violento.
Com a sede de vingança patente em Tarantino..
Alguma violência psicológica e quase nenhuma física. Pelo menos comparativamente ao Frontiére do MoteLX.

Ri-te, e o Mundo rir-se-á contigo;
Chora, e chorarás sozinho.

Aspirina Parte II


Não dá, não dá, não dá.

Ir ao ginásio e ver colado em vários cacifos autocolantes que reivindicam: "Se amanhã sentir dores musculares, tome uma aspirina." relembrou-me o ataque que me deu há um ano atrás.

http://marymoonimperceptions.blogspot.com/2007/11/sente-aluma-coisa-tome-uma-aspirina-e.html

quinta-feira, outubro 09, 2008

Coincidência ou Inspiração?



Atenção

O Sr. Manuel desce as escadas, degrau a degrau, com o esforço e dedicação como se tivesse de levantar um menir.

Os lábios desviados e a expressão franzida, fazem-me olhar mais abaixo para tentar perceber a razão por detrás de tamanho esforço...
... afinal eram só umas escadas...

Tem muletas.

Apetece-me perguntar: "Precisa de ajuda?"
Apetece-me logo disponibilizar: "Eu ajudo-o a descer."

Mas daí penso logo de seguida que a minha disponibilidade pode ser mal interpretada:
"- Eu estou muito bem! Não sou nenhum deficiente, percebe?"
(Ouço isto como se fosse a voz de um diabinho no meu ombro.)

A linha que distingue Ajuda/Ofensa é tão ténue. Por exemplo a minha mãe, que é tão orgulhosa e não demonstra parte fraca:
"Quando ia no autocarro, estava grávida do teu irmão e levava-te ao colo. As pessoas olhavam para mim com pena! Ficava tão irritada!"
Depois, há as outras pessoas que pedem ajuda.

Não é pena que sinto quando pretendo ajudar quem precisa.

É atenção.

É colocar-me no lugar dessas pessoas e imediatamente pensar que se para mim fosse um esforço descer umas escadas, provavelmente não daria tanta importância a outros pequenos problemas que me inquietam no dia-a-dia.

Só está quem quer, quem não quer, vá andando.
Repito vezes sem conta como se fosse um processo de auto-mentalização.

Tantas pessoas para dar atenção e vou importar-me com quem não quer?

Não.

Só quero que me tratem bem,
sem ser bem demais,
e mais do que tudo,
sem ter de pedir.


sexta-feira, outubro 03, 2008

Vuuuuuuuuuuuuu.........

Hoje saí de casa e quase que voei.
Tem calma, vento.
Estás com pressa mas esqueces-te que a rapidez leva-nos ao desinteresse.
Ninguém gosta do que é demasiado rápido. Nem do que é fácil.
Estilo fast food.
(Quer dizer, um hamburguer na ressaca, sabe sempre a "pato".)