quinta-feira, agosto 30, 2007

Cartola

Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra não chorar.

Quero assistir o sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir o pássaros cantar,
Eu quero nascer quero viver...

Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra não chorar.

Se alguém por mim perguntar,
Diga que eu só vou voltar,
Depois que eu me encontrar...

Quero assistir o sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir o pássaros cantar,
Eu quero nascer quero viver...

Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra não chorar.


(Obrigatório ouvir... in Cidade de Deus)

quinta-feira, julho 19, 2007

Vínculos de Sangue

O meu amanhã é assim tão claro na tua bola de cristal?

O sangue que corre nas minhas veias a uma velocidade louca para chegar a todo o meu corpo assemelha-se à minha vontade de querer percorrer o Mundo e chegar a todo o Globo.

As mesmas pedras que se atravessam no meu caminho assemelham-se ao mesmo atrito vascular que faz "estagnar" o sangue que percorre a uma velocidade louca no meu corpo. É inato. Afinal, sou do mesmo sangue.

(Chega de chorar sobre o leite derramado.)

Queria dizer-te com os meus olhos que sou feliz... mas sem deixar transparecer o quanto me custa encarar a tua verdade. Eu preferia mil vezes antes que não tivesse sido assim, não percebes? Que não se escolhe ao contrário do que tu tanto reivindicas?

Terá de ser o tempo a provar-te aquilo que eu queria provar-te mas que não consigo, porque... infelizmente... ainda não tenho provas do futuro que acontecerá... ou não. Mas só o tempo o dirá.

Dá-me tempo. Eu dar-te-ei o teu.

terça-feira, julho 03, 2007

Refúgio Obrigatório

Al-horizonte.

Cerca da Moura.

A sombra.


Janela Indiscreta.


Barbeiro de Alfama.

Al-pão.

Cat window.

Alfama Cosmopolita.

Dolly: Clone?

segunda-feira, julho 02, 2007

Saavedra

"Aquele que perde a riqueza perde muito,
Aquele que perde um amigo, perde mais,
Mas aquele que perde a coragem... perde tudo."

CERVANTES

quinta-feira, junho 21, 2007

Auto-Mentalização

Não está certo.

Tzzzunt Tzzzunt ZzzZzzZZZZZTTT!

Curto-Circuito neuronal: neurónios fliparam. Bloqueio mental.

TunTunTunTunTun- TunTun- TunTun-TunTun-TunTun-TunTunTunTunTunTun

Pára de bater coração, pára, pára, pá-ra, p-á-r-a... De tanto bater, qualquer dia páras de vez.

_____________________________________________________________

Não páres, abranda antes... Mais devagar....

TunTun.......TunTun...... TunTun.........

Afinal, não é por isso que o que queres vai ficar.


Por que é que me apetece o que não está certo.

quarta-feira, junho 20, 2007

Transeunte Voyeur

Rua Serpa Pinto. (Quem foi Serpa Pinto?) Oficial do exército extinguido em 1900. Acabará um século e começará um outro no qual eu cheguei ao Mundo. Sem me pedirem licença. Sem me rogarem permissão.

Rua Serpa Pinto. (Mas afinal quem foi Serpa Pinto?) Vagueio como uma transeunte voyeur, reparo, reparo... sim, reparo, examino o candeeiro amarelo que ilumina a janela e pergunto-me se o sol chegará a iluminar a minha casa.

Observo outro transeunte que também repara em mim. (Será que é por estar só, também, como eu?) Estava sentado atrás de mim, de olhos postos num livro (que depois se desviaram). Minutos depois, atravessa-se à minha frente. Eu reparo e reconheço. Confirmo a minha memória visual olhando para trás, confirmo se já não estava sentado na cadeira por trás de mim. Não estava. Era ele. Só e com rugas que marcam uma vivência. Que rugas... depressões marcadas por uma força muscular que contraria qualquer fibra elástica da pele... e a parte.

Irreversivelmente.

A parte.

Como se o tempo tivesse expirado. É a apoptose.

Não o culpem por ter rugas. Chega de ostracizar a vetustez, de preconceituar a sapiência. Ninguém tem culpa da pele ceder.

"-Ah! Olha aquela cheia de rugas!" Aquela que se expõe constantemente em revistas cor-de-rosa (sujeita-se a isto, ela)... expõe-se, expõe-se... há alguém que não se expõe? Por acaso vivemos enclausurados longe da convivência social para ficarmos imunes à percepção real dos outros que nos olham? (Dos outros que estão desejosos de nos detectarem fragilidades, para nos apontarem?)

Culpem o velho se ficou velho e não aprendeu.

Culpem o velho se errou e não aprendeu. Se voltou a errar e não aprendeu. (ah, e quem não voltaria a errar, mais uma vez?)

Culpem-lhe se a evolução (sim evolução) para a velhice não se traduz em sabedoria... em inteligência... em partilha altruísta de tudo o que a vida lhe ensinou ou de tudo o que dela quis aprender.

Culpem-lhe se a velhice não se traduziu em complacência.

Vá lá... não lhe culpem pela sua existência.


(Que admiração (esta minha) pela anciania. Que enjoo. Não me consigo calar, parar de escrever sequer.)

Vómito

Penso que, penso que... penso tanto. Que enleio. Que novelo desorganizado.

Absorver Lobo Antunes até ao âmago da alma. Adorar, adorar. Adorar ler Lobo Antunes. Gostava um dia de ser assim, escrever assim, exprimir-me assim. Parece que as palavras lhe vomitam do núcleo por um fenómeno de sublevação. Palavras nada congeminadas, nada predeterminadas, nada calculadas, não há matemática na escrita... muito menos exactidão. Aposto que a caneta não acompanha a força impeladora que sente e o obriga a escrever. A vomitar.

Forgive me. Let live me. Set my spirit free.

Música deprimente que se dissemina em partículas subtis e atinge os ossículos do meu ouvido... tornando-se vibrações traduzidas em mim (e por mim) em lembranças, em palavras, em sonhos, em ilusões. Por que é que o que nos deprime nos incita a escrever... nos inspira? Letras de músicas de amor, não são mais do que reflexos de frustrações... pelo tempo que não volta, pela pessoa que queremos agora e não volta, pelos momentos partilhados que não voltam. Que erro. Dignificar a tristeza. Recalcar a rejeição. Enaltecer a indiferença. Glorificar em poemas, prosas ou músicas, o desamor. Que erro. Que também cometo.

Queria escrever como ele, viajar como ele, afinal sinto a mesma vontade de escrever de seguida sem resguardo ou pudor. Afinal sinto a mesma vontade de vomitar sem esta ter sido causada por uma quantidade absurda de gramas de álcool no meu sangue, no meu corpo.

Mas talvez não. Talvez não queira ser como ele.
É bem melhor escrever, vomitando, sem compromissos de sintaxe, sem exigências de semânticas e de coordenação. Já um outro (J.L.Peixoto) escreve dois pontos, seguido de palavra, seguido de dois pontos, seguido de palavra. Contraria todas as regras de linguística por mim (não tão bem) absorvidas e (algumas já) esquecidas... Mas conseguiu, conseguiu, pois conseguiu, ser reconhecido. Aqui e lá fora. Lá fora é traduzido. É reconhecido.

Mas não é isso que eu quero.

Só quero que tu, que não me vês mas que és visto por mim, consigas absorver as minhas palavras e sentir tudo o que eu sinto quando as escrevo... para ti.

segunda-feira, junho 18, 2007

Viagem introspectiva

Quero, quero... Não, não.
Espero, espero, e por esperar, desespero.
Mas não passou assim tanto tempo, afinal, estou calma, estou em paz, nem desespero tanto assim.
Só quero um lugar para mim... estar completamente completa, viver plenamente na plenitude.
Mas eu estou bem.
Já cheguei.
As viagens solitárias e introspectivas dão-me para isto.
Fazer o quê.

Mensagem

O romantismo e o amor não existem, apenas, entre sexos opostos.
O amor e o romantismo entre sexos opostos são apenas uma grande fatia que as pessoas insistem em valorizá-la como se fosse o bolo inteiro que alimenta a vida.
Falta o amor pela família, gata, futuros filhos (amor incondicional)...

Falta o amor pela amizade, pelo prazer de vida...

Faltam muitos outros amores... e todos estes amores, romanceados ou não, ao contrário do outro, serão para sempre eternos e verdadeiros.

sábado, março 03, 2007

"I know not what tomorrow will bring..."

Quero escrever só porque penso que desse lado haverá uma leitura compreensiva e receptiva aos meus devaneios literários. Afinal, pouca gente à minha volta conseguirá decifrar as minhas introspecções metafísicas. Pouca ou quase nenhuma gente à minha volta revela interesse pela semântica das palavras que hoje se resumem a conversas e escritas banais e básicas que chegam a saturar a convivência social e a preferir, antes, o silêncio... Já não há "Pessoa" nas pessoas... aquele ser que enquanto viveu sempre se considerara um incompreendido e que hoje, prolifera pelos outdoors onde reinvindicam, por si, o voto de eleição do melhor... Como se houvesse um melhor. Não há. Há antes um conjunto de vários melhores. Cada um contribuiu para uma parte da nossa maravilhosa história. Sempre fui contra a evidência dos melhores. Ridicularizam e ostracizam ainda mais os "não melhores"... e limitam o conceito de "melhor" a ínfimas qualidades. O "melhor" a matemática poderá não ser o "melhor" a desenho... Nem acredito que o seja. Cada um tem um dom. Cabe-nos estimular esse dom e procurarmos ser o "melhor"... mas para nós, no meio de nós... não no meio de toda a gente... contribuindo antes para um "Melhor" Humanitário.

Por ser mais forte do que eu... esta força impeladora de movimentos falângicos que me "obrigam" a carregar nas teclas e a desenhar palavras como se elas tivessem algum sentido em existir... neste contexto. Não percebo, nem nunca perceberei por que é que, por mais voltas que dê ao Mundo, a sensação de soco seco na barriga continua a deixar-me controladamente retraída e a fugir... de tudo e de todos.

terça-feira, setembro 26, 2006

Sabias que...

Sabias que... para mim é fácil desistir?

Não lutar por uma causa, que, penso sempre perdida, penso sempre predestinada, penso sempre condenada, por ser fortemente influenciada por uma intemporalidade irreconciliável?

Sabias que... para mim é fácil deixar?

Deixar de investir precipitadamente, assim de um segundo para o outro, por não ter tempo a perder, por não ter tempo para esperar, por ter não ter nada que me faça tristemente e frustradamente estar dependente, por não ter a quem dar o exemplo ou justificações que nem a mim me convencem, por ter tempo ainda para começar de novo?

E deixar ainda quem não quer estar (Ah! basta dizerem-me...), por não querer prender, por não querer sufocar nem agarrar, quem no seu perfeito juízo inventa, quem do seu perfeito juízo não vai à guerra, quem na sua sanidade mental não LUTA e desiste... assim como EU.

Sabias que... para mim é fácil continuar?

Seguir em frente depois da queda, incrível como me dá mais força, incrível como me alimenta... mais parece que a passividade a mim me atormenta, me constrange, ao ponto de na passividade me deixar entorpecer.

Sabias que... para mim é difícil esquecer?

Esquecer quem cá... para sempre, estará.

Nem tu, nem nenhum outro estarão.

quinta-feira, julho 20, 2006

Descoordenações Centralizadas

Não interessa o teu passado flagrante e tantas vezes rebuscado. Tu partiste. Sem medo e sem dó. E agora envelheceste. Como as rugas bem demarcadas na pele fotoenvelhecida, provocadas por tantas expressões musculares contraídas e por inúmeras horas de vivências e convivências.

Não interessa se envelheceste. O "ultra"passar dos anos só nos marca com sabedoria e inteligência, que, perfeitamente sincronizadas, conduzir-nos-ão a um estado de plenitude e divindade... Mesmo sem alucinogénicos à mistura.

Não me agrada ver um olhar tão triste e adormecido num banco de um jardim num final de tarde afagado pelo vento. O vento acalma a solidão inquietante que não passa despercebida a ninguém decentemente atento pelo que o rodeia, mas destapa o couro cabeludo porque esvoaça a queratina grisalha, expondo cruelmente a alopécia senil que o chapéu tentava disfarçar. A velhice não deveria ser assim. Completamente ignorada como se tivesse um prazo de validade expirado. Revolta-me tanto desprezo e desconsideração por uma "classe" que para mim merecia ser incondicionavelmente venerada e colocada numa ara.
TU, que não tens rugas marcadas pelo tempo, quem pensas que és? Que estórias mirabolantes e verdades moralistas pensas que tens para cativar? Cala-me essa boca e engole o sapo de seres um "frango" no meio das corujas. Aprende a respeitar o velho sábio e dá-lhe tudo o que ele, um dia, te deu a ti. "Filho és, Pai serás." Já te esqueceste de quem te deu de mamar ou quem te ensinou o Bê-À-Bá? A memória é curta, infelizmente... mas só para ti. Há tónicos cerebrais disponíveis no mercado farmacêutico, mas duvido que sejam eficazes. Mesmo com "overdoses" realmente tóxicas...mas farmacologicamente inúteis para estimular essa microcirculação cerebral. O teu prognóstico só seria positivo se a tua alma fosse não medicinalmente exorcizada. Esquece. Só está, quem estar quer, e, quem não está, estivesse. Espero que seja sempre o meu lema de ordem.

É aqui que tu entras, passado rebuscado. Ou sais, melhor dizendo. Por mais que viva descoordenadamente desnorteada, a verdade é que... o meu Norte está bem orientado na Rosa-dos-Ventos.

Engraçado é como o meu Norte corresponde ao teu Sul.... será que nos encontraremos no Centro?

quarta-feira, maio 03, 2006

Sinapse

Estou a aterrar.
Descolei de avião com a intensidade como quem quer viver até ao último minuto...com aquela força impeladora de uma sensação de "soco seco" na barriga e que nos consome até ao osso...Até aos músculos erectores dos pêlos da superfície da pele, contraídos por sinapses induzidas pela tua presença. Sim. A tua presença sempre me sinapsiou. A tua presença sempre me inconformou. Mas nem tu nem ninguém do teu sangue, noticiou.

Guardei o meu segredo num baú como quem não quer desvendar um sonho, porque era arriscado e inaceitável demais saber-se que tu me sinapsiavas e porque, afinal, tu já estavas sinapsiado, mas por um estímulo diferente.

Até que decidiste vir abrir o baú. Naquelas noites em que nenhuma estação antropológica poderia alguma vez prever o teu comportamento humano... Naquelas noites, como em qualquer noite ou dia passados, em que nada, mas mesmo nada, poderia indiciar que te aproximasses de mim... Parabéns. Conseguiste até surpreender o coelho da Páscoa.

Talvez tenhas encontrado uma chave perdida no teu caminho indefinido e tivesses resolvido experimentar na primeira porta...na porta do meu baú, quem sabe à espera de uma saída para a tua condição...ou para a tua "posição", como me disseste ao telefone. Foi aí que descolei sem sequer fazer o "check-in". Quando dei por mim, estava a sobrevoar no meu sonho e era real. Era mesmo real... Mas era. Não o será mais.

(...)

E apesar da segurança falível do check-in (haverá alguma segurança infalível?), fui obrigada a passar pelo detector de metais, e sabes que mais? A tua chave não podia embarcar...Devia ter percebido naquele instante que a resposta para a tua condição, afinal, já estava encontrada. "Maluquice". Não deveria ter acontecido nunca. Sabes que eu acredito que..
as palavras... não as leva o vento. Não podem simplesmente ser soltadas em vão, porque são o nosso código de entendimento interpessoal. É através delas que reagimos, agimos e comandamos as nossas vontades, lutas e receios. É com elas que podemos traduzir ou justificar o nosso comportamento. Sempre interligadas com o comportamento. Porque só por si, podem perfeitamente ser momentâneas e esquecíveis. Como as tuas.

Foi um poço de ar e eu fiquei asfixiada por esse soco tão seco na barriga e parei de respirar.
Por que é que, pela segunda vez, me vieste buscar e abrir o baú à força para eu mostrá-lo a todo o mundo? Porquê? Tantas vezes te perguntei...tão poucas mal me respondeste.

Estou a aterrar agora e tu há muito que recomeçaste.
Não te preocupes. Ninguém saberá. Podes adormecer sossegado.
Ninguém saberá que aquela noite vai fazer, para sempre, parte da minha vida.

sábado, abril 15, 2006

"Imobilizações" não encenadas















Foto 1: Tia Avó Isidora.














Foto 2: Vista da Casa da Cerca (Almada).














Foto 3: Rapaz com bola nas escadas (Almada).















Foto 4: Isidora a descascar uma laranja.
















Foto 5: Jogo de Snooker na Sociedade Filarmónica da Incrível Almadense (SFIA).





















Foto 6: Jogo de Damas na SFIA.



sábado, abril 08, 2006

O Ritual



O ritual é sempre o mesmo. Fora isso, não seria ritual, não seria protocolo.
Aacabei de chegar de um ritual. Doiem-me os pés. Estão calejados do protocolo dos saltos altos em dias de cerimónia, porque não estão habituados. E habituada nunca estará a minha alma a tais rituais. Porque não se identifica. Porque não vê nada de novo, nada que lhe ensine e lhe surpreenda num dia de calor inesperado de ritual.

O padre recita sermões decorados num tom de voz gravada e ajuda-me a confirmar a minha heresia. Nada de novo. Só surpreendeu pela rapidez do sermão. O Santo António não foi assim tão fugaz com os peixes, mas eu agradeci a brevidade. Acho que tal foi justificado pela pressa em que saiu da linda capela, disfarçado de jeans (ou seria disfarçado de padre?), de pasta na mão, óculos escuros e de cigarro aceso.

Batem chapas a cores, são os fotógrafos que tentam dar vida ao ritual para assim posibilitarem uma recordação gravada e eterna. Sim, porque a nossa memória atraiçoa-nos e nunca sabemos se amanhã recordaremos o ritual. Nunca saberemos se o SIM de hoje será um NÃO daqui a horas, dias, meses, anos. Nunca saberemos se a pessoa a quem nos entregamos hoje, não nos deixará plantadas com os filhos para cuidar e educar, amanhã. Nunca saberemos o amanhã. Mas assim é que tem piada.

Foi mais um casamento. Não quero aquela tradição no meu casamento, por isso acho que não vou querer seguir um ritual. A minha grande amiga quis, e agora está feliz. Sem mais críticas e rejeições a rituais, nestes momentos o que mais importa...é saber que quem eu amo, seguiu o seu sonho.

sexta-feira, abril 07, 2006

Julieta


"Julieta", disse ele.
E voltou as costas.
Como se quisesse escolher o nome para uma filha que seria fruto de um amor que nunca tivémos. Ou que, pelo menos, ainda não teríamos tido.
Como se fosse de partida à descoberta de novos trilhos, numa caravela de D. Afonso Henriques, e ansiasse escrever um nome numa carta dirigida a mim. A mim e à Julieta.

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,

Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo. (...)

Fernando Pessoa

Para que a mensagem não se perdesse, boiando num mar imenso encarcerada numa garrafa de cristal. Cristal diamante que brilhasse mesmo num dia chuvoso e enovoado de Abril. Para que fosse encontrada. "Abril, águas mil." Águas de mar e de chuva que me revestissem numa segunda pele e me oferecessem, para além da sua frescura natural e revitalizante, uma promessa inverosímel... mas credível no seio da loucura de um sonho.

MaryMoon

domingo, abril 02, 2006

Tulipas


"Tulips" from BLOC PARTY

When you said tulips
I knew that you're mine
When I caught you there
Crying in the night
Wearing my jacket
Wearing that smile

I knew that I'd found you

This could be an opportunity

Were you unawares?
Did it catch you out?
Or did it break you in
Right from the start?
It's as pure as fire
It's as pure as snow

I knew that I'd found you

This could be an opportunity

If you promise to let it
If you promise to let it grow

'Cos you're the one I love